segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ânsia.

Do meu âmago surgem explosões múltiplas,
surge a sintese da vida: a ansiedade.
Anseio seios, anseio ceias (farturentos ambos),
anseio o tempo que não passa (que quando passa, foge), anseio o surgimento de mais do que a vida [desencadeia.
Desencadeia de mim, o sim, em vão:
eu, quando só, sou só negacao.
Me mantenho: nego cinco, sete, cem.
Quero uma: mais ninguém.
Sofro sempre da disparidade: é simples,
Simples insalubridade da síntese... É ansiedade.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Interno. -In.

Intrínseco, ininterrupto.
Incontestável incômodo inquieto.
Meu.
Dogmatismo inconstante: Inconstância ímpar. 

Dúvida, dúvida.
Inteiro assim. 

sábado, 3 de março de 2012

- O céu tá bonito, hoje.
- O céu tá sempre bonito, só precisamos apagar a luz e lembrar.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Homem-de-Lata

Homem-de-Lata,
alma de magnata,
opinião retrógrada
e intento de aristocrata.

Progresso, progresso:
Viva a tecnologia!
Clama aos números e máquinas,
mas esquece da família.

Oh, homem-de-lata,
cê só sabe ligar pra polícia?
Quando será que percebe que essa tua perícia,
não serve pra enfrentar problemas cotidianos?
Eu, por exemplo, posso não usar calculadora,
mas sei que sempre posso contar com os meus manos.

Putas, problemas, perigos, lá fora.
Por isso, sai só pra fumar:
de hora em hora.

Prefere ficar dentro de casa,
se esconder.
Gosta de desligar o cérebro
e ligar a tevê.

Hoje à tarde,
presenciou a realidade;
Assalto à mão-armada:
Perdeu carteira e notoriedade.

Fez um B.O., que demorou,
reclamou do sistema:
É fácil tratar a desigualdade
como se você não contribuísse pro problema.

Sacou dinheiro no caixa,
esse é o esquema.
Quer beber, quer sair, quer curtir,
quer se divertir.
Não quer pensar na sociedade,
quer ter motivos pra sorrir.


Oh, homem-de-lata,
cê só sabe ligar pra polícia?
Quando será que percebe que essa tua perícia,
não serve pra enfrentar problemas cotidianos?
Sabe lidar com máquinas,
mas não sabe lidar com humanos.

Não conhece a morte de perto,
só ouviu falar.
Por isso mesmo vive
como se ela não fosse chegar.

Corre, corre pro trabalho,
todos os dias.
Perde tempo com seus medos,
e esquece as alegrias.

Frias, as cidades sempre tratam com apatia.
Quer conforto, quer mordomia:
Mas até pra buscar amor, em que já não acredita,
se usa, descontroladamente,
da maquinaria.


Oh, homem-de-lata,
cê só sabe ligar pra polícia?
Quando será que percebe que essa tua perícia,
não serve pra enfrentar problemas cotidianos?
Não te ajudam nas resoluções,
mas só nos falhos planos.

Oh, Homem-de-Lata,
será que cê quer fugir da terra?
Será que não percebe a guerra?
É pra insistir em resistir, e não pra não se importar:
Desligar os motores e botar o cérebro pra funcionar.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Nossas certezas se tornam obsoletas independentemente de nossas vontades.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Valsinha.

O amor se fez pelos olhos molhados. 
Secou-os, por mais que ela resistisse (ou tentava resistir) ao toque, secou-os com a polpa dos dedos, e enfatizou o afeto enfatizando os dizeres: queria duvidava confundia ansiava pensava... e, talvez, amava. Pedia, arriscava, perguntava se juntava-se a ele.
Mergulharam.
Caminharam de mãos dadas em florestas densas e fétidas. Amedrontaram-se com os seres selvagens: a dúvida e a insegurança eram os mais ardilosos. Aprenderam juntos a se defender, e defenderam-se juntos. Degustavam, tateavam, ouviam: Ansiavam, mas (talvez espantados com as novas cores que o céu mostrava, pra lá) hesitavam ingressar no descampado das delícias conjuntas.
Mas, que nada.
O amor se traduziu entre pernas molhadas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Rato.


Que dizer do Rato que beijou a Lua?
Encontrou em seu sorriso o seu sol e céu.
Dela foi muito feliz e arrancou o que lembrar,
para ter consigo sempre essa sensação
de que tem um canto, um peito a lhe apoiar.


Que dizer da ousadia do Rato rude,
sugismundo , vagabundo e fanfarrão,
que ousou tocar a Lua, só pra ter pouquinha luz,
e dela recebeu o coração?

Que dizer do Rato bardo, e suas rimas pobres,
Mas de sentimentos belos, e mui verdadeiros?

Conheceu, o Rato, a luz de novas vidas...
Sim, muitas! Pois muitas eram as sensações.
Com tão grande e corajosa lua,
linda, mesmo num céu deveras carregado,
não haveria de ser diferente,
O Rato era feliz.